Editorial

DE / POR: quando o desconto é maior que a oferta

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Não faltam promoções na internet.

Todos os dias aparece alguma coisa assim:

De R$ 199,90
Por R$ 99,90

Metade do preço.

Imperdível.

Só hoje.

Últimas unidades.

Se você observar por algum tempo, parece que e-commerces e marketplaces se transformaram numa gigantesca fábrica de oportunidades.

Tudo está em promoção. O tempo todo.

E é justamente aí que começa o problema.

Se tudo está em promoção, qual é o preço normal?

O famoso DE / POR é uma ferramenta legítima do varejo.

Um produto custava determinado valor, recebeu um desconto e agora custa menos.

Até aí, absolutamente normal.

O problema aparece quando o preço usado como referência deixa de representar aquilo que o produto normalmente custa.

Imagine um produto vendido regularmente perto de R$ 100.

Ele passa a ser anunciado assim:

De R$ 199
Por R$ 99

O preço final pode continuar sendo R$ 99.

Mas a percepção mudou completamente.

Você deixou de olhar para um produto de R$ 99 e passou a enxergar uma oportunidade de 50% de desconto.

E isso importa.

Promoção também mexe com percepção

Preço não é apenas matemática.

A forma como ele é apresentado influencia a maneira como percebemos uma compra.

Quando vemos um desconto muito grande, existe uma segunda informação sendo transmitida além do preço:

“Você está levando vantagem.”

E, quando a oferta parece temporária, aparece outra:

“Se você não comprar agora, pode perder a oportunidade.”

É por isso que expressões como “só hoje”, “últimas unidades”, contadores regressivos e grandes percentuais de desconto funcionam tão bem no varejo.

Elas acrescentam urgência à decisão.

Só que existe um efeito particularmente ruim quando o DE deixa de ser uma boa referência: o consumidor começa a perder a noção de quanto aquele produto realmente vale no mercado.

O nosso infame “Dilma Effect”

Quem trabalha conosco já ouviu essa expressão.

Internamente, brincamos chamando algumas dessas situações de “Dilma Effect”, numa referência ao velho meme de “atingir a meta e depois dobrar a meta”.

Nossa versão do varejo seria:

dobra o preço e depois vende pela metade do dobro.

É uma piada interna.

O fenômeno, não.

Na prática encontramos estratégias bastante diferentes entre vendedores.

Existem produtos cadastrados com pequenos acréscimos antes da aplicação de descontos.

Outros aparecem 10%, 20%, 30% ou 50% acima de determinadas referências.

E existem casos extremos em que o preço de referência fica muito distante do preço pelo qual aquele produto normalmente é encontrado.

Isso não significa que todo DE / POR seja artificial.

Muito menos que todo vendedor faça isso.

O problema é justamente o contrário:

olhando apenas para a etiqueta, fica difícil saber qual promoção é promoção de verdade.

Por que isso acontece?

Existem vários incentivos.

Um deles é bastante simples: promoção vende.

Outro é exposição.

Marketplaces e lojas frequentemente criam áreas específicas de ofertas, campanhas promocionais, vitrines, cupons e mecanismos que dão destaque adicional a produtos enquadrados nessas ações.

Para o vendedor, participar dessas campanhas pode significar mais visibilidade.

E isso cria um incentivo óbvio para apresentar o produto como uma oferta.

Só que, se praticamente tudo está permanentemente “em promoção”, o desconto começa a perder significado.

Você continua vendo o percentual.

Mas perde a referência.

E esse é o verdadeiro problema

Para decidir se R$ 99 é um bom preço, você precisa saber mais do que simplesmente:

DE R$ 199 POR R$ 99.

Você precisa saber:

Quanto esse produto custava ontem?

Quanto custava há um mês?

Ele costuma ficar próximo de R$ 99?

Já custou R$ 79 recentemente?

Esse suposto desconto apareceu hoje ou o produto está há três meses pelo mesmo preço?

Essas perguntas são muito mais úteis do que o valor riscado na etiqueta.

É exatamente por isso que o Kuraia registra histórico de preços

Nosso sistema não se importa com o tamanho escrito no DE.

Ele olha para o que realmente interessa:

quanto o produto estava custando naquele momento.

R$ 149.

R$ 129.

R$ 99.

R$ 119.

E vai registrando.

Com o tempo, começa a surgir algo muito mais interessante que uma etiqueta de promoção:

contexto.

Se um produto normalmente custa R$ 150 e caiu para R$ 99, o gráfico mostra.

Se normalmente custa R$ 99 e hoje apareceu:

DE R$ 199 POR R$ 99

o gráfico também mostra.

Sem precisar discutir a etiqueta.

Os números contam a história.

Antes de comprar a “oferta imperdível”, olhe o histórico

Não significa que você precise transformar cada compra numa investigação.

Esse é justamente o trabalho que queremos tirar das suas costas.

Mas, quando aparecer aquele desconto gigantesco que parece bom demais para deixar passar, vale gastar alguns segundos verificando uma coisa:

esse preço realmente caiu?

Abra o produto no Kuraia.

Veja o histórico.

Compare com outras ofertas.

Depois decida.

Porque existe uma diferença enorme entre estar escrito que está barato e estar barato de verdade.

A gente registra o preço.

Você separa a oferta da maquiagem.

Por Eric
Idealizador e principal desenvolvedor do Kuraia

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